Design e a Hipótese Comunista

Fosso: 10/8, das 14h às 22h

Num momento histórico marcado pela polarização política, pelas ditas "guerras culturais", e pela reinvenção da imagem da esquerda, a nova edição do ciclo de colóquios organizados pelo CEII, chamado, dessa vez, Design e a Hipótese Comunista, convida todos a um debate em torno da constelação de ideias em torno do "design": da propaganda - atualizada para o mundo da web 2.0, na figura de influenciadores digitais, na produção de conteúdo para plataformas com fins de sedução política - até o desenho de funcionamento e hierarquia de organizações coletivas. Ao mesmo tempo, a tensão cultural gira, como há muito não fazia, em torno desse significante igualmente vago, o "comunismo" - muitas vezes entendido como um espantalho, constantemente mobilizado pela direita com fins de reforçar a polarização improdutiva que toma conta dos espaços de mídia e redes sociais. Nosso propósito não é refutar essa imagem, mas requalificá-la em múltiplas direções ao mesmo tempo - como diz Maiakóvski, já apontando para o encontro entre o design e a política:


“A arte deve ter uma destinação determinada. E eis a lei da nova arte: nada de supérfluo, nada sem uma destinação. Eu arranquei da poesia as vestes da retórica; eu voltei ao essencial. Estudo cada palavra e o efeito que desejo produzir com ele sobre o leitor: é o que fazem as pessoas que escrevem os anúncios de vocês. Elas não querem gastar em vão uma só palavra — tudo tem que ter sua destinação. Cada produto do século industrial deve ter sua destinação.” 


Desavergonhadamente nos apropriando de uma reconceitualização da arte como design em práticas das vanguardas construtivas do início do século XX, o presente colóquio pretende examinar a aplicabilidade deste conceito de Design, “desenho”, “desígnio” para diferentes práticas associadas a este movimento histórico de redestinação do campo autônomo da estética - seja para a propaganda, seja para a arte funcional, em particular o campo da arquitetura em seu diálogo a demandas sociais. Seja ainda para a própria idéia de alargamento de escopo do design como “design de meios”, seguindo a formulação de Keller Easterling:


“em qualquer contexto, grande ou pequeno, praticar o design de meios é gerenciar os potenciais e as relações entre objetos, a atividade ou disposição imanente à sua organização. A disposição de qualquer organização torna algumas coisas possíveis e outras impossíveis. Como um meio de cultura, determina o que vive ou morre. Como um sistema operacional, estabelece as regras do jogo que conectam e ativam os componentes de uma organização.” 


Nesta acepção o Design, não tanto e a hipótese comunista, se torna o Design “da” Hipótese Comunista, procurando elaborar como certas formas de organização, para além dos conteúdos nos quais acreditamos, podem por si só favorecer a constituição de um campo a que chamamos de Comuns. Esta idéia está em continuidade com a proposta do CEII de fazer a organização não de conteúdos nos quais cremos, mas fazer da “organização da organização ela mesma” o seu conteúdo- ao apostar em uma forma de engendramento para a qual “o que pensamos que somos” não é tão relevante quanto a infraestrutura organizacional que filtra e mobiliza para certas direções. Design de meios, portanto é o pensamento da infraestrutura que organiza o conteúdo e o pensamento que pensa essa filtragem e mobilização. O sexto colóquio organizado pelo CEII - dessa vez em parceria com o coletivo artístico Fosso, no Rio de Janeiro - visa abordar esses diferentes atravessamentos da estética com a política, do design com uma destinação estética para a qual a arte contribui o seu conteúdo, até uma definição de desenhos das infra-estruturas organizacionais, passando pelas questões da pedagogia e da propaganda na era das redes sociais, da relação entre populismo e imagem

INFORMAÇÕES:

DIA 10/8 - 14h

FOSSO

Rua Almirante Alexandrino, 2810 - Santa Teresa

contato: contato@ideiaeideologia.com

45225038_578799719224275_501073705630590

PROGRAMAÇÃO:


 

14h/ Performance: Manifestação Pacífica

 

15h/ Abertura

Círculo de Estudos da Ideia e da Ideologia - apresentação: Beatriz Zampieri Espindola

 

15.30h/ MESA 1: Design, entre comunicação e política

Mediação: Victor Pimentel

 

Ciberativismo, antipoder e fissuras ao capitalismo

     Silvia Bezerra Ramos - apresentação: Vaneza de Azevedo

Informação e outros problemas da forma 

      Luisa Marques 

Construir o Como-unismo 

       José Mauro Garboza Junior

 

17h/ Performance: zEros, por Sanannda Acácia e J-P Caron

 

17.30h/ MESA 2: Design, entre desenho e organização

Mediação: Caio Cesar

 

Design Comum: da cura ao cuidado

      Talita Tibola

DIY e desfordismo

      Caeso

O jogo de fins e meios 

      Pedro Moraes

 

19.15h/ MESA 3: Design, entre arte e propaganda

Mediação: José Mauro Garbosa Junior

 

Design(ação): para que serve um objeto?

      Daniela Mutchnik e Rodrigo Gonsalves

Gráfico/Fotográfico: esquemas com o tipo e o livro

      Aquiles Guimarães

Ruínas da memória e as cores da liberdade:

arte, política e emancipação       

     Marcela Cantuária

 

Exposição:

 

Quasicrystal, por Sanannda Acácia
Luiza Crosman
Luisa Marques & Gabriel Tupinambá

I.P.C.A., por Max Paulo Silveira

 

Lançamento de livros da GLAC:

 

Império e Anonimato: materiais preliminares às insurreições, Cidadãos, Voltem Pra Casa!

Chamada: imaginação radical do presente, Anônimos